O povoado da Cruz que a santa batizou
No leste de Minas, no Vale do Rio Doce, um município de 4 mil habitantes nasceu como Povoado da Cruz, trocou a cruz pelo nome de uma santa preta — e paga R$ 13,8 mil por mês a um médico de família que ninguém encontra.
Primeiro veio a cruz. Por volta de 1906, quando a colonização subiu essas terras altas do leste mineiro, o lugarejo que crescia em volta dela era conhecido simplesmente como Povoado da Cruz. Foi um pioneiro, João Soares, quem doou as terras para erguer uma capela — e a capela não era para qualquer padroeiro: era para uma santa etíope, uma das poucas santas pretas do calendário católico. O povoado inteiro acabou rebatizado por ela. A cruz ficou na origem; o nome da santa ficou no mapa.
O chão ajuda a entender por que o médico não chega. São terras elevadas — o ponto mais alto passa dos 930 metros — cortadas pelos ribeirões Pau Pintado e Brejaúba, no meio do Vale do Rio Doce. O povoado virou distrito de Virginópolis em 1948 e só se emancipou no último dia de 1962. De lá pra cá, pouco mudou de tamanho: são cerca de 4 mil habitantes vivendo de agricultura e pecuária, numa dessas cidades mineiras onde todo mundo se conhece pelo primeiro nome e o posto de saúde é a instituição mais movimentada que existe.
É exatamente esse posto que está com a cadeira vazia. A prefeitura abriu credenciamento para médico da Estratégia Saúde da Família — 40 horas semanais, escala definida pela Secretaria Municipal de Saúde, cuidando de uma população que cabe inteira na agenda de um único generalista. Num município desse tamanho, o médico do PSF não é um plantonista de passagem: é a pessoa que acompanha a gestação, a hipertensão e a velhice das mesmas famílias, ano após ano.
A porta tem forma de edital: credenciamento eletrônico, com inscrição exclusivamente pela plataforma licitardigital.com.br, propostas recebidas de 16/07/2026 até 30/04/2027 — fluxo contínuo, sem prova, sem concurso. Paga R$ 13.800,00 mensais pelas 40 horas, em contrato de 12 meses prorrogável. Cento e vinte anos atrás, um homem doou um pedaço de chão para que o povoado tivesse uma capela. Falta agora quem doe a rotina — bem remunerada — para que ele tenha um médico. A santa já fez a parte dela.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 13,8 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · fluxo contínuo até 30/04/2027
- Região
- Leste de Minas Gerais, no Vale do Rio Doce
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
Assinar a Plataforma Completa (R$ 89/mês) e ver o edital →Já é assinante? Entrar