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Credenciamento · Sudoeste da Bahia, no sertão de altitude

O rio do anzol que virou campo de vento

No sudoeste da Bahia, no sertão de altitude, um município recebeu de uma professora um nome tupi que significa "rio do anzol" — e hoje tem torres eólicas girando sobre a caatinga e uma cadeira de médico que não fica ocupada.

Até 1945, o lugar carregava o nome de um santo e de uma árvore — uma gameleira. O problema é que já havia outro município baiano com o mesmo nome, e rebatizar coube a uma professora de Caetité, Eponina Zita, que propôs um topônimo tupi: pinda, anzol. Rio do anzol, rio da pesca. É um nome de água num dos sertões mais secos da Bahia — o tipo de ironia que só o interior produz sem perceber. Povoado em 1900, distrito de Urandi em 1918, o município só se emancipou em 13 de fevereiro de 1962 e foi instalado em abril de 1963. Tem, portanto, pouco mais de sessenta anos de vida própria.

São 628 km² encaixados entre Guanambi e Caetité — a Serra Geral, o sertão de altitude do centro-sul baiano, onde o ar é seco e as noites são frias de verdade. O Censo de 2022 contou 14.731 habitantes, e a maior parte deles não mora na sede: vive na zona rural, espalhada por povoados. A economia é a agricultura familiar da caatinga — mandioca, milho, fruta, carne de sol — com unidade de beneficiamento de polpa e derivados de mandioca instalada pelo governo estadual no território do Sertão Produtivo.

E há o vento. Esta é a região do Alto Sertão baiano, o mesmo platô que fez da Bahia a líder nacional em energia eólica: parques em Caetité, Igaporã, Guanambi. O município tem os seus — o complexo Guirapá I se espalha por aqui e pela vizinha Caetité, e há dezenas de aerogeradores girando sobre pastos de gado miúdo. É uma paisagem que resume o interior brasileiro de 2026: torre de cem metros de tecnologia dinamarquesa ao lado de uma casa de farinha. O capital chegou. O médico, não.

É aí que o edital dói. A vaga não é só na sede: o credenciamento abre Estratégia de Saúde da Família na cidade e em oito povoados — oito pontos de uma zona rural que concentra a maioria da população, cada um com sua estrada de terra e sua fila de manhã cedo. Some o plantão no Hospital Municipal, que é a porta de urgência de quem não vai chegar a Guanambi a tempo. Um município desse tamanho não perde médico por falta de doente; perde por não ter quem aguente a distância — e é exatamente isso que ele está pagando para resolver.

O Credenciamento nº 018/2026 (Processo 542/2026) paga R$ 14.000/mês pelas 40 horas de PSF, R$ 12.000 por 32 horas e R$ 9.000 por 20 horas, com plantão de 24h no Hospital Municipal a R$ 1.950 de segunda a sexta e R$ 2.100 em fim de semana e feriado. É contratação somente PJ (MEI serve), com inscrições a partir de 20/08/2026 e fluxo contínuo por 12 meses — não há data para fechar, mas há vaga para ocupar. A inscrição é eletrônica, pelo portal de licitações do município, e o edital com os contatos da prefeitura está aqui do lado. O rio do anzol continua sem rio. A cadeira do médico é que não precisa continuar vazia.

O que se sabe
A vaga
Médico PSF + Plantonista Hospital
Quanto pagam
R$ 14 mil/mês ou R$ 2 mil/plantão 24h
Vínculo
Credenciamento · somente PJ · fluxo contínuo
Região
Sudoeste da Bahia, no sertão de altitude
📍 Onde fica
📍Pindaí/BA

Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.

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