O rio que canta e envenena
No Recôncavo Baiano, um município ensinou o Brasil a cantar — e carrega chumbo no sangue há 40 anos. Falta quem cuide disso.
aqui tem chumbo no chão. Não é força de expressão: entre 1960 e 1993, a Cobrac — Companhia Brasileira de Chumbo — processou minério na beira do rio Subaé e deixou para trás cerca de 500 mil toneladas de escória contaminada com chumbo e cádmio. A escória virou aterro de quintal, piso de rua, brinquedo de criança. A fábrica fechou há mais de trinta anos; o metal ficou.
É a mesma cidade que deu ao Brasil Caetano Veloso, Maria Bethânia e um dos berços do samba de roda do Recôncavo. Todo 13 de maio, desde 1889, o Bembé do Mercado — patrimônio nacional pelo IPHAN — celebra a abolição com atabaques na praça, talvez o único lugar do país que nunca deixou de festejá-la. A cidade que ensinou o Brasil a cantar carrega chumbo no sangue.
Para o médico, isso não é pano de fundo — é anamnese. Pesquisadores da UFBA estudam a contaminação há quase quarenta anos: encontraram chumbo no sangue de trabalhadores, no cabelo de pescadores, e anemia em um terço das crianças avaliadas perto da antiga fábrica. Em 2023, grupos da universidade levaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, porque a remediação nunca veio. A vigilância clínica dessa população é um trabalho que ninguém estruturou — e que passa pelo consultório do PSF.
A retaguarda é a de cidade de interior: o Hospital Municipal Nossa Senhora da Natividade segura urgência e internação, e a queixa que os moradores repetem à imprensa é uma só — a regulação demora. Traduzindo: no plantão, entre a estabilização e a vaga em Salvador, quem sustenta o paciente é você. Salvador fica a pouco mais de uma hora pela BR-324; nas noites difíceis, essa hora é comprida.
Em troca, uma rotina que cabe numa vida: consultório de manhã entre sobrados coloniais, o Subaé descendo para o mangue, feira livre onde em poucas semanas o doutor tem nome e apelido. E a porta de entrada é simples: credenciamento, PF ou PJ, fluxo contínuo com inscrições abertas de 24/02/2026 a 24/02/2027 — sem concurso, sem fila. Paga R$ 16 mil/mês · R$ 3 mil/plantão 24h. O chumbo não sai do solo tão cedo; um bom médico pode chegar amanhã. Vá ver o Subaé de perto.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 16 mil/mês · R$ 3 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Recôncavo Baiano, Bahia
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