O chão que guarda pegadas de 143 milhões de anos
No Alto Sertão paraibano, o chão guarda a trilha de dinossauro mais longa do mundo — e o pronto-socorro guarda uma cadeira vazia.
A cidade guarda no chão a coisa mais antiga da Paraíba: a sete quilômetros do centro, no leito do Rio do Peixe, pegadas de dinossauro de pelo menos 143 milhões de anos — entre elas uma trilha de 43 metros em linha reta, a mais longa que se conhece no mundo. Foi ali, em Passagem das Pedras, que um agricultor encontrou em 1897 as primeiras pegadas de dinossauro registradas no Brasil. O sertanejo daqui pisa todo dia num arquivo que o planeta levou eras para escrever.
O resto é sertão em regime de exceção. A capital fica a uns 430 quilômetros de BR-230; a cidade não espera por ela. Desde os anos 1930 o DNOCS represou o São Gonçalo, e hoje o perímetro irrigado tira daquela terra seca mais de um milhão de cocos por mês, despachados até para São Paulo e Brasília. Eis a contradição da cidade: a água represada faz nascer coco em escala industrial — não faz nascer plantonista.
Porque é aqui que o Alto Sertão adoece. O Hospital Regional Deputado Manoel Gonçalves de Abrantes, da rede estadual, funciona 24 horas como retaguarda de uma constelação de municípios pequenos — Marizópolis, Nazarezinho, Aparecida, São João do Rio do Peixe. O pronto-socorro daqui recebe o que essas cidades não seguram, com sol de 38 graus lá fora e especialista que raramente fixa residência: muitos preferem o bate-volta de plantão a morar no sertão. A cadeira que sobra vazia é exatamente a que este credenciamento quer ocupar.
Para quem fica, a cidade devolve em rotina o que cobra em plantão: mercado aquecido de polo regional, faculdades, o açude para correr no fim de tarde, e o hábito local de chamar a cidade de Cidade Sorriso — apelido que um médico de porta de urgência aprende a levar a sério, porque em cidade desse tamanho o plantonista vira nome conhecido, cumprimentado na feira de sábado por quem ele suturou na terça.
A porta de entrada tem número: Credenciamento 004/2025, pela Lei 14.133, aberto em fluxo contínuo até 15/10/2026, inscrição 100% online no Portal de Compras Públicas, PF ou PJ. A função é plantonista de pronto-socorro, pagando R$ 1,6 a 1,9 mil/plantão 24h. É medicina de porta larga, sem colega na sala ao lado, num calor que não negocia. Mas o chão daqui prova que o que passa por ali deixa marca — vá ver se a sua fica.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 1,6 a 1,9 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Alto Sertão paraibano, Paraíba
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