O trevo no meio da floresta
No Sudoeste Paraense, uma cidade foi fundada por Médici em pessoa, em 1974, no trevo da Transamazônica — e hoje procura o médico do entroncamento.
A cidade é a única do Brasil inaugurada por um presidente antes de existir. Em 12 de fevereiro de 1974, o general Emílio Garrastazu Médici desceu no oeste do Pará para fundar, sobre a floresta recém-derrubada, o primeiro município construído na Transamazônica — e a única cidade-modelo desse tipo que o Programa de Integração Nacional tirou da prancheta. O plano era geométrico: agrovilas, agrópolis e, no topo da hierarquia, a cidade-modelo batizada com o nome do próprio general. Vieram nordestinos, sulistas, mineiros; a utopia militar virou gente, e a gente ficou.
Ficou num lugar estratégico: o entroncamento da Transamazônica com a Cuiabá–Santarém, a rota da soja que desce do Mato Grosso para os portos do Tapajós, onde as filas de caminhões já chegaram a 30 quilômetros. O grão atravessa o município com silo, porto e cronograma; o paciente daqui tem 1.170 quilômetros de estrada até Belém. Essa é a conta que o médico daqui fecha todos os dias.
A cidade sabe disso e está mexendo no próprio hospital: a reforma e ampliação do Hospital Municipal, bancada em convênio com o governo do Pará, entrou na fase final — mais estrutura para um pronto-socorro que hoje segura sozinho o trevo mais movimentado da Amazônia rodoviária. É nesse hospital que o plantonista recebe o que a estrada manda: o acidente da BR, o parto da agrovila, a criança que a vicinal de terra vermelha atrasou dois dias no inverno das chuvas.
A rotina é dupla por desenho: Médico PSF de manhã, atendendo a população que os ramais trazem, e plantonista de PS quando a noite devolve a rodovia à cidade. Não há retaguarda na sala ao lado; há você, a equipe de enfermagem e a decisão. Em compensação, há o que as cidades planejadas raramente entregam: um lugar onde todo mundo veio de fora e por isso ninguém é de fora — o médico novo vira nome conhecido antes do primeiro mês fechar.
A porta de entrada é um edital: Credenciamento nº 001/2026, somente Pessoa Jurídica, em fluxo contínuo até 31/12/2026, com análise nos cinco primeiros dias úteis de cada mês e envio por e-mail ou presencial na Secretaria de Saúde. Paga R$ 21,2 mil/mês para quem aceitar ser o médico do entroncamento. Médici fundou a cidade e foi embora no mesmo dia; a vaga é para quem faz o contrário — chega pelo trevo e resolve parar.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 21,2 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · Somente PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sudoeste Paraense, Pará
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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