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Credenciamento · Alto Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais

Onde a água nasce longe de tudo

No Alto Vale do Jequitinhonha, um município sem hospital fica 77 km de serra até a retaguarda — e oferece R$ 15,5 mil/mês para o médico que topa.

Senador Modestino Gonçalves não tem hospital. O posto de saúde da Avenida Nossa Senhora das Mercês atende de segunda a sexta, das sete às cinco da tarde — e o que acontece depois das cinco precisa vencer 77 quilômetros de serra até Diamantina. São 951 quilômetros quadrados para pouco mais de quatro mil pessoas: dá para dirigir meia hora na chapada sem cruzar com ninguém, e cada uma dessas pessoas, quando adoece de verdade, depende de quem estiver de plantão do lado de cá da estrada.

A cidade já se chamou Mercês de Diamantina, distrito da terra do diamante, emancipada em 1962 com o nome de um senador. A riqueza mineral passou por perto e seguiu adiante; ficaram a altitude — 743 metros no alto Jequitinhonha, com invernos secos que gelam as noites do Espinhaço — e um dos IDHs mais baixos de Minas Gerais. É o retrato clássico do Vale: base tributária quase nenhuma, economia de roça e de folha pública, e um SUS que só se sustenta em consórcio, o CISAJE, costurando os municípios do Alto Jequitinhonha para comprar juntos as especialidades que nenhum deles banca sozinho.

No entanto, é aqui que a água do grande vale começa. O município guarda a Estação Ecológica Mata dos Ausentes: 498 hectares de cerrado denso e resto de Mata Atlântica onde vive o lobo-guará e onde se caminha ao luar entre os campos. A mata leva o nome dos que se foram; a cidade ainda espera quem chegue. Essa é a contradição inteira do lugar — natureza de santuário em cima, fila de referência em baixo.

A rotina do médico é dupla por definição: PSF de manhã, conhecendo as famílias pelo nome numa população que cabe inteira na memória, e o pronto-atendimento quando a serra manda o caso que não pode esperar a hora e meia de ambulância. Estabilizar com o que há na sala, decidir sozinho se transfere ou segura, saber que a retaguarda existe — mas do outro lado dos 77 quilômetros. Quem precisa de um colega na porta ao lado não fica. É exatamente por isso que a cidade paga o que paga.

A porta de entrada é um credenciamento, pessoa física ou jurídica, sem fila de concurso: fluxo contínuo, com inscrições abertas de 09/03/2026 a 31/12/2026, e remuneração de R$ 15,5 mil/mês para a função de médico do PSF e plantonista. É pouco para quem mede a vida em shoppings e muito para quem quer ser o nome que os quatro mil conhecem. A água do Jequitinhonha nasce onde quase ninguém vai olhar. Vá olhar.

O que se sabe
A vaga
Médico PSF + Plantonista PS
Quanto pagam
R$ 15,5 mil/mês
Vínculo
Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
Região
Alto Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais
📍 Onde fica
📍Sen. Modestino Gonçalves/MG

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