A cidade que nasceu de uma promessa contra a cólera
No Cariri Oriental, Paraíba, fizeram promessa a santo porque não havia médico. Hoje o médico que falta pode ser você.
No Cariri paraibano, o município é mais novo que boa parte dos seus pacientes: só virou cidade em 1994, desmembrado de Gurjão, e só ganhou prefeitura instalada em 1997. Mas a terra é velha — aparece nos livros de sesmaria desde 1709, como fazenda Mucuitu, propriedade de jesuítas. Entre a fazenda dos padres e a prefeitura de agora, quase três séculos de caatinga, cabra e teimosia.
A memória fundadora da saúde local é uma epidemia. Por volta de 1856, e de novo até 1862, a cólera varreu o sítio. Não havia médico, não havia posto, não havia nada: o povo fez uma promessa a São Sebastião para livrar o lugar da doença. A cidade inteira nasceu desse voto. É esse o tamanho histórico do vazio que o plantonista vem preencher — onde a primeira resposta sanitária do lugar foi um santo, a segunda demorou século e meio para chegar de jaleco.
Hoje são 2.622 habitantes no Censo de 2022, espalhados por 225 quilômetros quadrados de semiárido — um dos municípios menos populosos da Paraíba, na região imediata de Campina Grande. A economia é a do Cariri de sempre: criação no lombo da seca, roçado que depende de açude. O contraste local cabe numa frase: a terra tem trezentos anos de escritura e a cidade não tem trinta de certidão.
O plantão no pronto-socorro de um lugar assim é medicina sem sala ao lado. A retaguarda de tomografia e UTI fica em Campina Grande, do outro lado de uma estrada de sertão e de uma fila de regulação. A queda do vaqueiro, o infarto do aposentado, a parturiente que não vai chegar a tempo em canto nenhum: por vinte e quatro horas, a decisão é sua e a espera é do outro. Em compensação, no sábado a feira sabe seu nome, o aluguel custa pouco e a agenda não tem trânsito — quem precisa de anonimato não dura; quem gosta de ser alguém num lugar concreto, sim.
A porta de entrada é um credenciamento: vínculo de autônomo, pessoa física ou jurídica, com inscrições abertas em fluxo contínuo de 01/04/2026 a 01/04/2027 — o edital fica disponível aos assinantes junto do card da vaga. Paga R$ 5 mil/plantão 24h, o preço honesto de uma cadeira que costuma ficar vazia. O lugar já esperou médico uma vez por cento e cinquenta anos; não precisa esperar de novo. Vá ver de perto o que uma promessa cumprida parece.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 5 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Cariri Oriental, Paraíba
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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