Onde o trem leva a fortuna e deixa a febre
No Sul do Tocantins, um município tem 4 mil habitantes e PIB per capita de R$ 249 mil — e nenhum hospital. A conta de quem falta é sua.
A cidade tem quatro mil habitantes e um PIB per capita de R$ 249 mil — quase oito vezes a média do estado. No papel, é uma das cidades mais ricas do Brasil por cabeça. Na rua, é um município pequeno do sul do Tocantins, colado na BR-153, onde o maior empregador privado é uma fábrica de ração e a riqueza que infla a estatística atravessa o território de trem: a Ferrovia Norte-Sul corta a zona rural carregando o grão do MATOPIBA para o porto, sem parar para adoecer ali.
Essa é a antítese do lugar: o dinheiro passa sobre trilhos; o doente fica no chão. O município não tem hospital. O que existe é um Centro de Saúde na Rua Julieta Zeferino de Oliveira, no centro, funcionando 24 horas — e é esse balcão que separa o município do vazio. Caso grave sobe na ambulância rumo a Gurupi, o polo regional. Quem decide o que é caso grave, quem estabiliza antes da estrada, quem segura o que dá para segurar, é o médico de plantão. Um. Você.
A BR-153 é a velha Belém-Brasília, e rodovia de carga cobra pedágio em carne: colisão de madrugada, motociclista da lavoura, trabalhador da fábrica. Some a isso a clientela de sempre do interior — o hipertenso que só aparece quando a vista escurece, a gestante do assentamento, o cortador de pasto com a mão aberta — e você tem a medicina que se pratica ali: atenção básica de PSF durante o dia, porta de urgência quando a noite e a rodovia mandam.
Há um outro lado, e ele é curto e honesto: Gurupi fica logo ali, com faculdade de medicina, comércio, aeroporto regional. Você não está no fim do mundo — está no ponto exato onde o fim do mundo começa. Dá para morar no polo e atravessar para o plantão, ou fixar-se na cidade pequena onde em dois meses o balconista da farmácia sabe seu nome e o prefeito atende seu telefonema. O isolamento daqui não é geográfico; é de gente disposta a assumir o balcão das 24 horas.
A porta de entrada é credenciamento, sem concurso: você entra como autônomo, pessoa física ou jurídica, em fluxo contínuo, com inscrições abertas a partir de 11/03/2026 junto à prefeitura — e o edital completo está aqui na plataforma. Paga-se R$ 2,2 mil/plantão 24h · R$ 4,5 mil/mês especialistas. Não é dinheiro de trilho; é dinheiro de quem precisa que alguém desça do trem. Vá ver o município que a soja atravessa sem olhar. Ele olha de volta.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 2,2 mil/plantão 24h · R$ 4,5 mil/mês especialistas
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sul do Tocantins, região de Gurupi
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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