Perto demais da cidade grande para segurar um médico
Na microrregião de Campo Mourão, um município trocou o café pelo sapato, ganhou hospital novo de 38 leitos — e ainda procura quem segure o plantão.
A cidade, no noroeste do Paraná, quase morreu de frio. A geada de 1975 queimou os cafezais que tinham dado nome ao município — a terra roxa, fértil demais para ficar vazia — e disparou o êxodo rural. A resposta do município não foi chorar a lavoura: foi acender a oficina. No início dos anos 1980, o lugar já contava dezoito fábricas de calçado, e os casulos brancos do bicho-da-seda pendiam das amoreiras nos sítios em volta. No mesmo quarteirão, o cheiro de cola do sapato e o fio de seda do casulo — uma cidade que se costurou de volta à vida.
O problema daqui nunca foi o isolamento. É o contrário: os polos estão perto demais. Cianorte, Maringá, Campo Mourão — hospitais grandes, residências, vida urbana a menos de uma hora de asfalto. O médico prefere morar no polo e, no máximo, deslocar-se. As escalas ficam furadas, a rotatividade vira regra, e o lugar que reconhece todo mundo pelo nome não consegue guardar o nome de um plantonista por muito tempo.
Só que algo mudou em abril de 2026. O governador do Paraná esteve na cidade para inaugurar o Hospital Municipal Dr. Valdomiro Peres: R$ 13,7 milhões somados entre Estado, prefeitura e Ministério da Saúde, 38 leitos entre urgência, internação, pediatria e maternidade, mais de três mil metros quadrados, atendimento inteiro pelo SUS. Um município que passou décadas encaminhando parto e infarto para fora agora tem onde recebê-los. Agora há estrutura nova embaixo dos pés — o que muda o trabalho, mas não o peso dele.
Porque o plantão de pronto-socorro aqui continua sendo medicina de porta aberta: estabilizar o infarto do lavrador da soja, suturar o dedo do sapateiro, escutar a tosse da criança e decidir, sem colega na sala ao lado, o que segue de ambulância para Maringá e o que fica. Vinte e quatro horas em que a decisão é sua. Quem não suporta decidir sozinho não atravessa a primeira madrugada; quem suporta descobre que sai do plantão e compra pão de alguém que sabe seu nome.
A porta tem forma de edital: credenciamento de plantonistas para o pronto-socorro, pessoa física ou jurídica, Edital nº 17/2026, inscrições abertas a partir de 02/06/2026 em fluxo contínuo durante a vigência de 12 meses — a primeira rodada de habilitação foi em junho, mas a janela segue aberta. Paga-se R$ 2,9 mil/plantão 24h. O município já se reinventou de café em sapato e de sapato em hospital novo; falta quem se reinvente junto. Vá conhecer a cidade que a geada não conseguiu fechar.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 2,9 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Microrregião de Campo Mourão, Paraná
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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