O quilombo do café a mil metros
No sudoeste da Bahia, a quase mil metros de altitude, um município nasceu de um quilombo e de uma feira de beira de estrada — e paga mais a quem topa atender do outro lado da BR-116.
No sudoeste da Bahia, a quase mil metros de altitude, existe um município que tem duas certidões de nascimento. Uma é oficial: a lei estadual nº 1.658, de 5 de abril de 1962, que desmembrou o território do município vizinho e criou a cidade com sede num arraial que até então era só uma feira. A outra é anterior, e mais interessante: entre 1810 e 1869, escravizados fugidos da antiga comarca de Rio de Contas formaram ali um quilombo, e foi em torno daquele núcleo que a povoação foi crescendo. A prefeitura tem 64 anos. O lugar tem quase dois séculos.
É sertão de altitude — o clima tropical de altitude derruba o termômetro abaixo dos 10 °C em certas noites de julho, o que é uma informação estranha de se ler sobre a Bahia. Cerca de 750 mm de chuva por ano, seca de maio a setembro, e uma rodovia federal cortando o município em dois mundos: de um lado a região de mata, com chuva e café; do outro, a caatinga, de agricultura de subsistência e gado. O brasão da cidade não deixa dúvida sobre de onde veio o dinheiro: um boi, um ramo de café e uma cana-de-açúcar. Vinte e quatro mil habitantes, aproximadamente, e o maior polo urbano do sudoeste baiano a menos de uma hora de carro.
Essa proximidade é justamente o problema. Quando a cidade grande está a 47 quilômetros, o médico atende e volta — e quem mora nos povoados do outro lado da rodovia fica esperando. A prefeitura sabe disso e escreveu no próprio edital: o clínico de 40 horas na sede ganha R$ 12.100 por mês; num povoado rural, R$ 12.300; e no povoado mais distante, R$ 13.200. Mil e cem reais de diferença por mês para percorrer alguns quilômetros de estrada vicinal. Ninguém paga adicional por um trajeto que as pessoas fazem de boa vontade. O adicional é a medida exata da distância que ninguém quer percorrer.
Quem fica encontra uma estrutura que muita cidade de porte parecido não tem: além da atenção básica, há hospital geral com escala de plantão — 24 horas por R$ 2.200 de segunda a sexta, R$ 2.400 no fim de semana, com opção de 12 horas por R$ 1.100 a R$ 1.200. Dá para montar a semana de várias formas: só básica, só plantão, ou os dois. E o café que se colhe nos morros de mata acima dos mil metros não é commodity qualquer — é a lavoura de altitude que fez a fama da região inteira.
O Edital nº 007/2026-FMS (Processo 027/2026) abre credenciamento de médicos somente PJ, em fluxo contínuo e por prazo indeterminado: não há data de fechamento, e a adesão pode ser feita a qualquer tempo. A inscrição é por manifestação de interesse, presencial na Secretaria Municipal de Saúde ou por meio eletrônico. Há também a modalidade de 20 horas semanais, a R$ 6.000 mensais. Se você quer saber que cidade é essa, ela está aqui embaixo — junto com o edital, o endereço da Secretaria de Saúde e o e-mail de contato.
- A vaga
- Médico Clínico 40h + Plantonista Hospital
- Quanto pagam
- R$ 12,1 a 13,2 mil/mês ou R$ 2,2 a 2,4 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · somente PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sudoeste da Bahia
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
Assinar a Plataforma Completa (R$ 89/mês) e ver o edital →Já é assinante? Entrar