A cidade que nasceu de uma árvore e voa do alto do pico
No norte do Paraná, uma cidade inteira foi batizada por uma única árvore — a de raiz chata, em tupi — e do alto do seu pico de 1.200 metros os parapentes saltam sobre o vale do Tibagi. No hospital municipal, porém, há um plantão de 24 horas esperando por quem chegue pelo chão.
No norte do Paraná, na década de 1930, os operários que abriam a Estrada do Cerne rumo ao interior acamparam ao redor de uma árvore de raízes enormes, grossas e achatadas, que saltavam para fora da terra. Em tupi, aquele tipo de raiz tem nome — algo como "raiz esquinada", raiz chata — e foi esse nome de árvore que virou nome de vilarejo, depois de distrito e, em 1960, de município emancipado. A árvore está até hoje na bandeira da cidade.
O município cresceu do jeito que o interior paranaense cresce: madeira, lavoura, café nas encostas, e um vale — o do rio Tibagi — que guarda as duas joias locais. De um lado, uma cachoeira cercada de orquídeas que dá nome ao salto. Do outro, um pico agudo de 1.200 metros de altitude, com rampa de voo livre de onde parapentes e asas-delta se lançam sobre o vale, e que virou o principal cartão-postal da região de Telêmaco Borba.
Mas cidade de 6,5 mil habitantes tem a matemática de sempre: gente suficiente para encher um hospital municipal, gente de menos para formar médicos. Quem adoece de madrugada num sábado depende de um plantonista que, na maioria das vezes, veio de fora — de Curiúva, de Telêmaco Borba, de Londrina. A escala de 24 horas do hospital não se preenche sozinha, e a prefeitura resolveu deixar a porta aberta o ano inteiro.
Quem fica descobre um arranjo raro: plantão de 24 horas pagando R$ 2,7 mil, num hospital de porta pequena, a uma hora e pouca de centros maiores, em uma cidade onde o fim do plantão pode terminar no alto de um pico vendo parapentes ganharem o céu. São cerca de 375 plantões estimados em doze meses — trabalho de verdade, previsível, para quem quer montar agenda sem depender de escala alheia.
A porta tem forma de edital: Chamada Pública nº 02/2026 (Processo 64/2026, Secretaria Municipal de Saúde), credenciamento contínuo durante toda a vigência de 12 meses, exclusivo para pessoa jurídica, com plantões presenciais de 24 horas no hospital municipal a R$ 2.692,02 cada e recebimento desde 27/07/2026. A inscrição é simples: documentos em PDF por e-mail, preferencialmente, ou entrega presencial na prefeitura — dúvidas pelo 0800 090 4201. A árvore que fundou a cidade segue lá, de raízes largas. Falta quem crie as suas.
- A vaga
- Plantonista (Hospital Municipal)
- Quanto pagam
- R$ 2,7 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · somente PJ · fluxo contínuo
- Região
- Norte do Paraná, na região de Telêmaco Borba
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