Rica de café, órfã de médico no Vale do Ivaí
No Vale do Ivaí, norte do Paraná, um município já se chamou Pau Lascado, virou município em 1997 e ainda espera o médico que fique.
Trocou de nome três vezes antes de existir no mapa. Primeiro foi Mamoré, nome indígena; depois Pau Lascado, porque as casas eram de madeira lascada; depois Jardim Florida, pelo café e pelas flores. O nome que ficou homenageia padres vindos da ilha de Malta — e o município em si é mais novo que muito médico formado: instalado em primeiro de janeiro de 1997, desmembrado de Faxinal, no alto do Vale do Ivaí, norte do Paraná.
São 2.892 habitantes no último Censo, espalhados por morros de café e soja onde a geada de maio ainda branqueia a lavoura ao amanhecer. E aqui mora o número que desconcerta: o PIB por pessoa passa de R$ 65 mil — acima da média do Paraná e quase o dobro da região de Ivaiporã, à qual a cidade pertence. Este lugar é mais rico, por cabeça, que a própria cidade-polo que a socorre.
Porque socorro, aqui, é coisa que viaja. Não há hospital aqui: a rede local é o posto, o PSF, o pronto-socorro de porta simples. O que passa disso sobe a estrada até a 22ª Regional de Saúde, em Ivaiporã, ou segue mais longe, para Apucarana, Maringá, Londrina. O grão paga bem a terra, mas não construiu leito de UTI — essa é a contradição sobre a qual a vaga existe. Quem assume o plantão sabe que, entre o acidente na roça e a referência regional, existe uma pessoa só, e é você.
A rotina, para quem serve para isso, tem outra moeda: consultório de manhã com paciente que você conhece pelo nome na segunda vez, plantão que resolve com anamnese antes de pedir exame, e uma cidade pequena o bastante para o médico ser instituição — coisa que aqui, órfã de padres malteses e de doutores que ficam, sabe reconhecer. A rotatividade é a regra; é por isso que a porta vive aberta.
A porta tem forma de edital: credenciamento junto à prefeitura, pessoa física ou jurídica, fluxo contínuo com inscrições até 27/04/2029 (credenciamento aberto por 3 anos). Paga-se por atendimento de plantonista de PS: R$ 158/consulta urgência ou R$ 193/consulta clínico geral. Não é vida fácil — é ser a linha inteira entre a lavoura e o hospital distante. Mas a cidade que já mudou de nome três vezes talvez só precise de um médico que não mude de cidade. Vá conhecer.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 158/consulta urgência ou R$ 193/consulta clínico geral
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Vale do Ivaí, norte do Paraná
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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