O sertão do ferro que dorme
No extremo norte da Bahia, na divisa com o Piauí, um município do sertão do São Francisco guarda debaixo da caatinga uma das maiores jazidas de ferro-titânio-vanádio do país — e, na superfície, uma rede de saúde pagando R$ 11,7 mil por mês a médico que ninguém ocupa.
Fica a quase 800 quilômetros de Salvador, no ponto em que a Bahia encosta no Piauí, dentro do sertão do São Francisco — a região do lago de Sobradinho, de Remanso, dos gerais de caatinga que se estendem por quase três mil quilômetros quadrados de município. Foi desse chão de Remanso, aliás, que ele se desmembrou em 5 de julho de 1962, ganhando nome próprio e destino próprio. Hoje são cerca de 30 mil habitantes espalhados entre a sede e dezenas de comunidades rurais.
A economia de superfície é a do sertanejo de sempre: caprinos e ovinos criados solto nos fundos de pasto — o regime comunitário de terra típico desse pedaço da Bahia —, mandioca, farinhada, feira. Mas o subsolo conta outra história. O município integra a chamada Província Metalogenética do Norte da Bahia e abriga uma jazida de ferro-titânio-vanádio estimada pela CBPM em 133 milhões de toneladas, com teores de 50% de ferro e vanádio suficiente para atrair licitação estadual e mineradora. É um dos depósitos estratégicos mais promissores do país — e segue, em grande parte, dormindo debaixo da caatinga, enquanto as comunidades de fundo de pasto vigiam de perto quem chega para escavá-lo.
Riqueza mineral no subsolo não vira médico no posto. A distância da capital, o semiárido e o tamanho do território — dezenas de povoados a horas de estrada de terra da sede — fazem daqui o retrato clássico do vazio assistencial do interior nordestino: a demanda é grande, a fila é real, e a cadeira do clínico vive vagando entre contratos curtos e profissionais de passagem.
Quem fica encontra o outro lado dessa conta: um salário que compete com capital sem o custo de capital, volume clínico que forma médico de verdade — do consultório da atenção básica ao plantão que resolve —, e o peso raro de ser referência para uma população inteira que sabe o nome de quem a atende. No sertão do São Francisco, médico não é um crachá: é uma instituição.
O chamado está aberto: Edital de Credenciamento nº 005/2026 (processo 207/2026) da rede municipal de saúde, com 6 vagas de Médico Clínico 40h semanais a R$ 11.669,15 por mês e 4 vagas de Médico Plantonista Clínico Geral a R$ 1.250,00 o plantão de 12 horas — o equivalente a R$ 2,5 mil por 24h. Contratação somente PJ, inscrições em fluxo contínuo desde 23/07/2026, abertas por um ano e prorrogáveis, feitas presencialmente no Setor de Licitações da Prefeitura. Se o sertão do ferro que dorme parece o seu tipo de fronteira, o edital completo — com o nome da cidade, o endereço e o contato — está a um clique para assinantes.
- A vaga
- Médico Clínico 40h + Plantonista
- Quanto pagam
- R$ 11,7 mil/mês ou R$ 2,5 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · somente PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sertão do São Francisco, no extremo norte da Bahia
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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