A terra do titanossauro precisa de médico
No Triângulo Mineiro, entre Uberlândia e o rio Paranaíba, um município desenterrou um dos maiores dinossauros já achados no Brasil — um titanossauro de 80 milhões de anos cuja réplica de 13 metros mora no Museu Nacional, no Rio. O que ainda não conseguiu foi manter médico o suficiente na porta do pronto atendimento.
Em 1810, um capitão a serviço da Coroa acampou às margens de um córrego no sertão do Triângulo Mineiro e, no ano seguinte, recebeu de Dom João a permissão para erguer uma capela. Daquele pouso nasceu um município de território descomunal — quase cinco mil quilômetros quadrados de cerrado, maior que muita capital — espremido entre Uberlândia e as águas do rio Paranaíba. Mas a história mais antiga do lugar não está no cartório: está enterrada na Serra da Boa Vista, onde paleontólogos desenterraram o Maxakalisaurus topai, um titanossauro de 80 milhões de anos, um dos maiores dinossauros já encontrados no Brasil. A réplica, com 13 metros de comprimento, está exposta no Museu Nacional, no Rio de Janeiro — e o apelido do bicho foi escolhido pela população, em votação.
Hoje, quem manda na paisagem são outros gigantes: o boi, as granjas de aves e suínos, a silvicultura e o grão. A pecuária extensiva divide com os serviços um PIB que passa de R$ 1,3 bilhão — dinheiro de interior produtivo, daquele que asfalta rua, paga folha em dia e sustenta um pronto atendimento funcionando 24 horas para cerca de 28 mil habitantes espalhados por um município do tamanho de um pequeno país.
É exatamente esse tamanho que explica a vaga. Num território assim, o paciente crônico que mora na ponta da estrada de terra não "passa no posto" — é o posto que precisa ir até ele. E a meia hora de Uberlândia, que atrai o médico jovem para morar na cidade grande, é a mesma meia hora que esvazia a escala do plantão local. O resultado é conhecido: estrutura existe, dinheiro existe, e a cadeira do médico é a que mais gira.
Quem senta nela, porém, senta bem. O credenciamento paga R$ 18.482,19 por mês para 40 horas no Serviço de Atenção Domiciliar — medicina de vínculo, de visitar o doente na casa dele, sem a moedor de carne da demanda espontânea. Quem prefere plantão encontra 12 horas de clínica no pronto atendimento a R$ 1.200 (comum) ou R$ 1.500 (especializado), com feriadões — Réveillon, Carnaval, Natal — pagando de R$ 2.400 a R$ 3.000. Há ainda 20 horas semanais no CAPS a R$ 8.250 mensais. Vale para pessoa física ou jurídica, com recebimento contínuo por 36 meses a partir de 02/07/2026.
O chamado é o Credenciamento nº 003/2026 (Processo Licitatório 085/2026), com inscrição presencial: envelope entregue na Divisão de Licitação, na praça central, de 7h30 às 11h e de 12h30 às 17h. Dúvidas pelo (34) 3431-8705 ou pelo e-mail da licitação. A terra que guardou um gigante por 80 milhões de anos não tem pressa — mas o edital é de fluxo contínuo, e a cadeira está vazia agora.
- A vaga
- Médico SAD 40h + Plantonista PA
- Quanto pagam
- R$ 18,5 mil/mês ou R$ 2,4 a 3 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Triângulo Mineiro
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