Um plantão à beira da Belém–Brasília
No Centro-sul do Tocantins, um município se mudou inteira para a beira da Belém–Brasília — e ainda espera médico.
O município mudou de endereço inteira. Nasceu em 1957 na beira do Ribeirão Faisqueiro e, em 3 de setembro de 1973, arrancou-se do lugar e foi se replantar na margem da BR-153, a velha Belém–Brasília, porque a vida do povoado tinha ido embora para o asfalto. É talvez a única credencial que uma cidade pode apresentar a um médico disposto a recomeçar: ela mesma já recomeçou uma vez, casa por casa.
Os números explicam o silêncio. São 3.281 quilômetros quadrados de cerrado para 2.219 habitantes no Censo de 2022 — menos de uma pessoa por quilômetro quadrado. E, sobre esse chão quase vazio, um PIB per capita de R$ 124 mil em 2023, dos mais altos do Tocantins. A riqueza está aí, mas passa: vai de caminhão pela BR, vai de colheitadeira pelas fazendas, e a localidade fica na beira, olhando.
Fica na beira também na saúde. Não há hospital no município — nem público, nem privado. O sistema local é a atenção básica: a UBS Terezinha de Jesus, na Avenida Tocantins, atende de segunda a sexta até o começo da tarde. Depois disso, o que acontece de grave numa cidade colada a uma das rodovias mais movimentadas do país — e rodovia produz trauma — encontra primeiro o plantonista do pronto-socorro municipal. Você estabiliza; a transferência é estrada.
É esse o contorno do trabalho: decidir sem colega na sala ao lado, com a referência a horas de BR, num município onde cada paciente da manhã tem nome e história e o da madrugada pode ser um caminhoneiro que você nunca mais verá. Quem precisa de retaguarda a dez minutos não fica. Quem gosta de ser o único par de mãos entre o acidente e o polo regional entende por que a vaga existe — e por que ela paga para existir.
A porta tem forma de edital: credenciamento de plantonista de PS, vínculo autônomo, como pessoa física ou jurídica, com inscrições em fluxo contínuo de 13/05/2026 a 12/05/2028 junto à prefeitura — você entra quando quiser, monta sua escala e mantém sua vida. A remuneração é R$ 2,5 mil/plantão 24h ou R$ 1,3 mil/plantão 12h. A região já atravessou o cerrado uma vez para ficar à beira do caminho de todo mundo. Falta quem pare. Encoste.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 2,5 mil/plantão 24h ou R$ 1,3 mil/plantão 12h
- Vínculo
- Credenciamento · autônomo (PF ou PJ) · fluxo contínuo
- Região
- Centro-sul do Tocantins
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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