A cidade da cachoeira que enche de ônibus no verão — e esvazia de médico o ano inteiro
No Vale do Jiquiriçá, na Bahia, uma cidade que nasceu de uma posse de terras em 1785 tem uma cachoeira que lota de ônibus de Salvador no verão — e uma vaga de médico de família paga R$ 13,5 mil por mês para quem quiser ficar depois que os turistas vão embora.
Antes de ter nome, o lugar tinha dono: os índios mongoiós, que habitavam as matas entre o rio e as serras do Vale do Jiquiriçá. Em 7 de maio de 1785, um português tomou posse solene daquelas terras — e a partir dali a história andou no ritmo lento do interior baiano: vila em 1868, município em 1876. O próprio nome do vale é um enigma indígena: "jiquiriçá" junta "jiquir", instrumento de pesca, e "içá", formiga — um cesto de formigas usado como armadilha para pescar. Uma região batizada por uma esperteza de pescador.
A sede da cidade fica espremida num vale extenso, às margens do rio Jiquiriçá, cercada pelas montanhas que a contornam. A economia sempre veio da terra: cacau, café, mandioca, cana, banana, laranja. O café, que já foi a força da região, está em declínio — como em boa parte do Vale, que reúne 20 municípios ao longo do rio. O que não declinou foi a água: o cartão-postal do município é a Cachoeira dos Prazeres, uma queda que forma piscina natural e que, no verão, recebe dezenas de ônibus de turismo vindos de Salvador, a cerca de 265 quilômetros dali.
Mas turista vai embora no domingo à tarde. Ficam os quase 19 mil habitantes — e uma zona rural extensa, de serra e roça, onde a Unidade de Saúde da Família depende de um médico que raramente aparece e mais raramente ainda permanece. É a matemática cruel do interior: a cidade que atrai gente de ônibus para as suas águas não consegue atrair um profissional para o seu posto de saúde rural.
Quem topa o desafio encontra o outro lado dessa conta. Custo de vida de cidade pequena, consultório a minutos de casa, uma população que conhece o médico pelo nome — e cachoeira de verdade a poucos quilômetros, sem precisar de feriado prolongado para chegar. A duas horas e meia estão Salvador e o aeroporto; no dia a dia, o vale, o rio e o silêncio das serras.
O chamado está no papel: Edital de Credenciamento nº 007/2026, para médico da atenção básica em Unidade de Saúde da Família da zona rural, 40 horas semanais, R$ 13.515,56 por mês — R$ 13,5 mil, em conta redonda. Aceita pessoa física ou jurídica, com recebimento das solicitações a partir de 30/07/2026 e fluxo contínuo ao longo de 12 meses de vigência. A inscrição pode ser presencial, na sede da prefeitura, das 8h às 12h, ou por e-mail. Se você é médico e procura um lugar onde o trabalho tem rosto e o fim de tarde tem cachoeira, o Vale do Jiquiriçá está esperando.
- A vaga
- Médico USF (40h)
- Quanto pagam
- R$ 13,5 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Vale do Jiquiriçá, na Bahia
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
Assinar a Plataforma Completa (R$ 89/mês) e ver o edital →Já é assinante? Entrar