A vila de 1698 à beira do lago que some
No extremo sul do Piauí, a mais de 800 km de Teresina, uma vila fundada em 1698 vive à beira do maior lago natural do Brasil — um espelho d'água de 72 km² que, nas grandes estiagens, simplesmente desaparece. E com ele, às vezes, desaparece também o médico.
No extremo sul do Piauí, a mais de 800 km de Teresina, existe uma cidade que é mais velha que o próprio estado. As terras foram divididas em sesmarias a partir de 1676, a vila foi fundada em 1698 — depois das incursões dos índios Macoazes e Rodelleiros — e o município foi instalado em 1762. É um dos povoados mais antigos do Piauí, terra que deu ao Império um ministro e marquês. Antes dos vaqueiros, viveram ali os Pimenteiras, os Cheréns e os Acoroás.
A vila cresceu na margem ocidental de um fenômeno geográfico: o maior lago natural do Brasil, que quando cheio espalha 72 km² de água no meio do sertão. Em volta dele se organizou tudo — a pesca, a pecuária, a lenda do encantado de barba ruiva que os antigos juram habitar suas águas. Só que o lago tem um segredo cruel: nas grandes estiagens, ele seca. Em anos recentes, o assoreamento e o desmatamento o reduziram a um leito rachado, com mais de um milhão de peixes mortos, pasto seco e gado magro — a cidade chegou a decretar calamidade, e hoje trabalha para desobstruir o rio que a alimenta e repovoar as águas com alevinos.
É nesse cenário que se entende por que a cadeira de médico custa a ficar ocupada. São dez mil habitantes num município encravado na divisa com a Bahia, a um dia inteiro de estrada da capital. Nenhum recém-formado passa por ali por acaso; quem não é da terra precisa de um motivo concreto para atravessar 800 quilômetros de cerrado. O resultado é o de sempre no interior profundo: a rede municipal depende de plantonista, e plantonista é o que falta.
Quem fica, porém, encontra o que as capitais não oferecem: plantões pagos por valor fechado, agenda previsível, custo de vida de sertão e uma população que conhece o médico pelo nome — numa cidade histórica onde ainda se pesca, se cria gado e se conta lenda de beira de lago. Para quem quer somar renda rodando o sul do Piauí, ou para quem procura uma base tranquila para começar carreira, é o tipo de praça em que o profissional é recebido como quem chega para resolver.
A prefeitura abriu o Credenciamento nº 001/2026 (Processo 044/2026) para médicos plantonistas, pessoa física ou jurídica: plantão de 24 horas a R$ 2.200 em dias úteis e R$ 2.400 em fins de semana; plantão de 12 horas a R$ 1.200 (úteis) e R$ 1.800 (fins de semana e feriados). O chamamento está permanentemente aberto desde 20/07/2026, durante toda a vigência de 12 meses (prorrogável), com inscrição pela plataforma Licitanet — termo de adesão e habilitação. Se o sertão à beira do grande lago fizer sentido para você, a cadeira está esperando.
- A vaga
- Plantonista (rede municipal)
- Quanto pagam
- R$ 2,2 a 2,4 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Extremo sul do Piauí
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